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Verificação final e requisitos de manutenção para instalações elétricas.

  • Foto do escritor: Eng. Nunziante Graziano Ph.D
    Eng. Nunziante Graziano Ph.D
  • 27 de mar.
  • 9 min de leitura

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Verificação final de instalações elétricas


Conceito fundamental

As instalações elétricas, ainda que construídas sob os mais rigorosos conceitos das boas práticas da engenharia elétrica, podem apresentar vícios ou falhas, seja de projeto, mas sobretudo, de construção e execução. Dessa forma, é absolutamente necessário que uma verificação final após qualquer serviço executado, seja de uma instalação nova, ampliação ou reforma de instalação existente. Essa inspeção, onde também ensaios de verificação são realizados, deve ser executada durante e/ou quando o serviço for concluído, antes que essa instalação seja colocada em funcionamento, de modo a certificar que o serviço foi executado em conformidade com a NBR-5410:2004. O capítulo que versa sobre os procedimentos a serem seguidos nesta verificação final das instalações é o 7º da NBR-5410:2004.


Verificações prévias


⦁ A documentação mínima necessária da instalação deve ser fornecida ao pessoal encarregado da verificação. A documentação abaixo elencada deve ser fornecida e deve refletir a instalação absolutamente fiel ao “conforme construído”, conhecido como As-Built.


⦁ Plantas;

⦁ Esquemas unifilares e outros;

⦁ Detalhes de montagem;

⦁ Memorial descritivo da instalação;

⦁ Especificações dos componentes (descrição, características nominais e normas técnicas aplicáveis);

⦁ Parâmetros de projetos (Correntes de curto-circuito, queda de tensão, fatores de demanda considerados, temperatura ambiente, etc.).


Nota: As instalações para as quais não se prevê equipe permanente de manutenção, supervisão e/ou manutenção, composta por pessoal advertido ou qualificado (BA4 ou BA5), devem ser entregues acompanhadas de um manual do usuário, redigido em linguagem acessível a leigos, que contenha, no mínimo, os seguintes elementos:


⦁ Esquemas dos quadros de distribuição com indicação dos circuitos e respectivas finalidades, incluindo relação dos pontos alimentados, no caso de circuitos terminais;

⦁ Potências máximas que podem ser ligadas em cada circuito terminal efetivamente disponível;

⦁ Potências máximas previstas nos circuitos terminais deixados como reserva;

⦁ Recomendação explícita para que não sejam trocados, por tipos com características diferentes, os dispositivos de proteção existentes nos quadros.


⦁ Durante a realização da inspeção e dos ensaios, devem ser tomadas precauções que garantem a segurança das pessoas e evitem danos à propriedade e aos equipamentos instalados.


⦁ Em caso de ampliação ou reforma, deve ser verificado também se ela não comprometa a segurança da instalação existente.


⦁ As verificações e seus resultados devem ser documentados em um relatório.


Inspeção Visual


As inspeções visuais dos sistemas e partes devem preceder ensaios e serem efetuadas usualmente com as instalações desenergizadas, de modo que se possa tocar e verificar aperto, partes, peças conceitos e componentes com segurança. Inspeções que requeiram que os sistemas estejam energizados devem ser realizadas com as devidas tratativas de segurança previstas na NR-10. O objetivo de se realizar uma inspeção visual é de verificar se componentes que constituem a instalação fixa permanente estão em conformidade com as normas aplicáveis, se foram corretamente escolhidos e instalados em conformidade com a NBR-5410:2004, se não apresentam danos aparentes que possam comprometer seu funcionamento adequado e à segurança, entre outros procedimentos elegíveis pelas boas práticas da engenharia.


A inspeção visual deve abranger tanto quanto possível, mas deve contemplar, no mínimo, os seguintes pontos:


⦁ Medidas de proteção contra choques elétricos;

⦁ Medidas de proteção contra efeitos térmicos;

⦁ Seleção e instalação das linhas elétricas;

⦁ Seleção, ajuste e localização dos dispositivos de proteção;

⦁ Presença de dispositivos de seccionamento e comando, sua adequação e localização;

⦁ Adequação dos componentes e das medidas de proteção às condições de influências externas existentes;

⦁ Identificação dos componentes;

⦁ Presença de instruções, sinalizações e advertências requeridas;

⦁ Execução das conexões;

⦁ Acessibilidade.


Ensaios


Conceito fundamental


De forma a verificar condições funcionais mínimas, de segurança e de isolação, ensaios são exigíveis para controle quantitativo e/ou qualitativo das condições de serviço.


São ensaios exigíveis, quando pertinentes, a serem realizados nas instalações, e de preferência, na sequencia abaixo elencada.


⦁ Continuidade dos condutores de proteção e das equipotencializações principal e das suplementares;

⦁ Resistência de isolamento da instalação elétrica;

⦁ Resistência de isolamento das partes da instalação onde cuidados especiais são exigidos tal como os de SELV (Sistema de extra-baixa tensão), PELV (Sistema de extra-baixa tensão protegido) ou separação elétrica;

⦁ Seccionamento automático da instalação;

⦁ Ensaios de tensão aplicada;

⦁ Ensaios de funcionamento.


Quando ocorrem não-conformidades nos processos verificatórios acima descritos, o ensaio deve ser repetido após a correção do problema, bem como todos os ensaios precedentes que possam ter sido influenciados pelo processo de correção da falha.


Os métodos de ensaio aqui descritos devem ser vistos como métodos de referência, o que significa dizer que outros métodos podem ser utilizados, desde que comprovadamente, produzam resultados não menos confiáveis.


⦁ Continuidade dos condutores de proteção, incluindo as equipotencializações principal e suplementares:


De modo a verificar a continuidade de todo o sistema de aterramento de proteção, um ensaio de continuidade deve ser realizado. A NBR-5410:2004 recomenda que este ensaio seja efetuado com fonte de tensão em vazio entre 4V e 24V, em corrente contínua ou alternada, e com uma corrente de ensaio de, no mínimo, 0,2A.


Medição da resistência de isolamento:


A resistência de isolamento deve ser medida entre os condutores vivos, tomados dois a dois e entre cada condutor vivo e a terra.

A resistência de isolamento, medida com tensão de ensaio pertinente indicada na tabela abaixo, é considerada satisfatória se o valor medido no circuito sob ensaio, com os equipamentos de utilização desconectados, for igual ou superior aos valores mínimos especificados também na tabela abaixo.



1


As medições devem ser realizadas em corrente contínua, sendo que o equipamento deve ser capaz de fornecer a tensão de ensaioo especificada na tabela acima com uma corrente de 1mA.


Atenção especial é necessária quando o circuito incluir dispositivos eletrônicos, sendo que o ensaio deve ser realizado apenas entre o terra e todos os outros condutores interligados.



⦁ Medição da resistência de isolamento aplicável a SELV, PELV e separação elétrica:


A isolação básica e a separação de proteção implícitas no uso de SELV e PELV e no uso da separação elétrica individual devem ser verificadas por medição de resistência de isolamento. Os valores mínimos especificados estão na tabela do item 4.3 desta apostila.


⦁ Verificação das condições de proteção por equipotencialização e seccionamento automático da alimentação:


⦁ Esquema TN – as características do dispositivo de proteção e a impedância do circuito devem ser tais que, ocorrendo em qualquer ponto uma falta de impedância desprezível entre um condutor de fase e o condutor de proteção ou uma massa, o seccionamento automático se realize em um tempo máximo igual ao especificado abaixo.



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Para esta situação, a verificação da conformidade de proteção por equipotencialização se faz por medição da impedância do percurso de falta e pela verificação das características do dispositivo de proteção associado, por meio de inspeção visual e em especial por ensaio, exclusivamente para dispositivos DR.


⦁ Esquema TT - Para este esquema de aterramento, o seccionamento automático visando proteção contra choques elétricos se faz pelo uso de dispositivos a corrente diferencial residual, os DR.


A verificação se faz então pela medição da resistência de de aterramento das massas da instalação e por inspeção visual, além dos ensaios dos DR.



⦁ Esquema IT - Para este esquema de aterramento, a verificação se faz então pela verificação da corrente de primeira falta (Por medição ou cálculo) e pelo atendimento às prescrições referentes à situação de dupla falta.


⦁ Ensaio de tensão aplicada: Deve ser realizado em todos os casos previstos na NBR-5410:2004, sendo o valor da tensão de ensaio aqueles previstos nas normas aplicáveis ao conjunto ou montagens, como se fosse um produto de fábrica. Na ausência de Norma Brasileira e IEC, as tensões de ensaio devem ser as indicadas na tabela abaixo, para o circuito principal e para os circuitos de comando e auxiliares. Quando não especificado diferente, a tensão de ensaio deve ser aplicada durante 1min. Durante o ensaio não devem ocorrer arcos nem disrupções.



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⦁ Ensaios de funcionamento: Montagens tais como quadros elétricos, acionamentos, controles, intertravamentos, comandos e etc. devem ser submetidas a um ensaio de funcionamento para verificar se o conjunto se encontra corretamente montado, ajustado e instalado em conformidade com esta norma, com a NR-10, mas sobretudo, com as necessidades funcionais da instalação e dos personagens envolvidos na operação e manutenção dela.


Os dispositivos de proteção devem ser submetidos a ensaios de funcionamento, se necessário, para verificar se estão corretamente instalados e ajustados.


Manutenção de instalações elétricas

Tão importante como construir corretamente uma instalação elétrica, baseada em conceitos normativos e boas práticas de engenharia, também é a cultura da manutenção destas instalações.

Os equipamentos tem um ciclo de vida útil que depende de diversos fatores, entre os quais destaco:

⦁ Agressividade do ambiente onde está instalado;

⦁ Eventos ao longo do ciclo de vida útil (Vazamentos de água sobre componentes, fauna, flora, poluição, poeira, etc.);

⦁ Magnitude dos eventos elétricos ocorridos ao longo do ciclo de vida útil;

⦁ Qualidade dos materiais.


Dessa forma, é absolutamente necessário que de tempos em tempos sejam executadas verificações de cunho preventivo em todas as partes da instalação, seja por inspeções visuais, termográficas, reapertos gerais, limpeza geral, etc.


Essa cultura não é muito disseminada em nosso País, mas é absolutamente necessário e premente incutir a importância da cultura da manutenção preventiva nos profissionais brasileiros, uma vez que é necessário que as instalações sejam entregues aos clientes e que estes as recebam com planos de manutenção e operação que sejam seguidos, ao invés de as instalações serem “abandonadas” à sua própria sorte aos clientes, e estes entenderem que a instalação é eterna e infalível.


⦁ Periodicidade das manutenções: Segundo a NBR-5410:2004. A periodicidade das manutenções deve ser adequada a cada tipo de instalação. A periodicidade pode ser maior ou menor tanto quanto for a complexidade e criticidade da instalação, seja pela quantidade e diversidade dos equipamentos, ou seja pela importância das atividades desenvolvidas no local e a severidade das influências externas a que está sujeita.


⦁ Qualificação do pessoal: Verificações e intervenções nas instalações elétricas devem ser executadas somente por pessoas advertidas (BA4) ou qualificadas (BA5).


⦁ Verificações de rotina: Sempre que possível, as verificações devem ser realizadas com a instalação desenergizada. Invólucros, tampas e outros meios destinados a garantir proteção contra contatos com partes vivas podem ser removidos para fins de verificação ou manutenção, mas devem ser completa e prontamente restabelecidos ao término destes procedimentos.


⦁ Verificação de condutores: Deve ser inspecionado o estado de isolação dos condutores e de seus elementos de conexão, fixação e suporte, com vista a detectar sinais de aquecimento excessivo, rachaduras e ressecamentos, verificando-se também se a fixação, identificação e limpeza se encontram em boas condições.


Quadros de distribuição e painéis:


⦁ A estrutura dos quadros e painéis deve ser verificada, observando-se o estado geral quanto à fixação, integridade mecânica, pintura, corrosão, fechaduras e dobradiças. Deve ser verificado o estado geral dos condutores e cordoalhas de aterramento.


⦁ Componentes: No caso de componentes com partes móveis, como contatores, relés, chaves seccionadoras, disjuntores e etc., devem ser inspecionados, quando o componente permitir, o estado dos contatos e das câmaras de arco, sinais de aquecimento, limpeza, fixação, ajustes e calibrações. Se possível, o componente deve ser acionado umas tantas vezes, para se verificar suas condições de funcionamento.


Componentes sem partes móveis como fusíveis, condutores, barramentos, calhas, canaletas, conectores, terminais, transformadores e etc., devem ser inspecionados em seu estado geral, verificando-se a existência de sinais de aquecimento e ressecamento, além da fixação, identificação e limpeza.


No caso de sinalizadores deve ser verificada a integridade das bases, fixação e limpeza interna e externa.

⦁ Equipamentos móveis: As linhas flexíveis que alimentam dispositivos móveis devem ser verificadas, assim como sua adequada articulação.


⦁ Ensaios gerais: Ao término das verificações deve ser efetuado um ensaio geral de funcionamento, simulando-se pelo menos as situações que poderiam resultar maior perigo. Deve ser verificado se os níveis de tensão de operação estão adequados.


⦁ Manutenção corretiva: Toda instalação ou parte que, como resultado de verificação preventiva ou por sinistro, for considerada insegura, deve ser imediatamente desenergizada, no todo ou na parte afetada, e somente deve ser recolocada em serviço após a correção dos problemas detectados. Toda falha ou anormalidade constatada no funcionamento da instalação ou em qualquer de seus componentes, sobretudo os casos de atuação dos dispositivos de proteção sem causa conhecida, deve ser comunicada a uma pessoa advertida (BA4) ou qualificada (BA5), providenciando-se a correção imediata do problema.


©Todos os direitos reservados a Cordeiro Cabos Elétricos S/A (Programa Energy Master)


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